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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Quase um Fado



Trouxeste flores nos teus dedos
E maresias no olhar.
Na pele mapas e rotas
E nos cabelos o mar

Nas ondas largaste sonhos
Num veleiro a imensidão
Numa praia dunas de espuma
Nos rochedos a solidão

Vieste e não ficaste
Como as vagas na baía
Nesta maré de desejos
Nem a saudade cabia

Preciso romper estas rimas
E agarrar-te junto ao peito
Dizer-te do meu amor
Nestas palavras sem jeito

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Não



Não me digas palavras que os meus olhos já não chorem
Nem pintes o céu com as cores que o meu peito fez florir

Não me abraces a saudade
Não me soltes a solidão
Não abrigues no teu corpo outra cópia de ti
Não me aconchegues as névoas do que és

Não me digas palavras com músicas nos acentos
Nem acendas luzes nas frias madrugadas

Hoje eu quero sentir a angústia de te ter
Tão longe de te sentir.

domingo, 12 de outubro de 2008

Entre nós



Entre nós, só este mar de palavras com perfumes de maresias…
Por entre os dedos, rios de ondas formados nas ventanias…

Entre nós, todo um oceano de mares azuis e rochedos de nevoeiro…
Por entre os dedos, versos de paixão dum coração marinheiro…

Entrego os meus dedos às brisas do teu mar
E escrevo nelas a saudade de tanto amar.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Sonho



Acorda-me deste frio que paira sobre mim
Aconchega-me os dedos gelados de tantos versos
Alimenta-me os sentidos sedentos de paixões

Dá-me o fogo dos teus olhos
E assim, acesos, pousa-os na noite e acorda-me os sonhos…

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Ausência



Tínhamos tudo ao alcance dum desejo.

Um céu salpicado por mil sóis,
Uma lua pálida de tão branca
Um mar azul de tantas ondas
Uma praia grande de tantas baías
Um vento grosso de tantos uivos
Uma onda clara de tanta espuma


Sim. Tínhamos tudo ao alcance dum desejo.

Eu, e só a tua ausência…
Afinal temos nada!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Amar



Soltam-se os versos que falam solidões
Porque estou só de mim mesmo.

No peito um ardor a desencanto
E nos olhos uma miragem do teu sorriso.

Dói-me a névoa que espalhas no meu mar
E nem as maresias me cheiram a marés de espumas.

No mar, encalho o veleiro nas pedras da tua ausência
E os ventos expulsam-me as amarras que me ligam a ti.

Sinto-me à deriva do que sou
Em busca duma praia do que és…

Estou só no meio de tanto amar!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Palavras



Eram breves as palavras que os teus olhos segredavam
Dizias, em murmúrios, músicas de Outonos e fins de tarde
Ao redor de ti sobravam cores que espalhavas pelo ar
Criando horizontes de luz e sombras

Eram lindas as palavras que os teus olhos me ofereciam
E uma a uma, soltando-se num clarão, como que por encanto,
Pousaram nos meus lábios para que, num beijo, as guardasse
Colorindo uma canção que nos falasse de amor.

Foram tantas as palavras que os teus olhos prometeram…

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Outono




Numa praia, Sozinha, aguardo ansiosa pela tua chegada...

Sei que Contigo trazes folhas caídas de tons quentes...
Que abandonas nos ventos, deixando que se misturem
Com as Chuvas frias e tímidas, que deixas cair na janela ainda meio aberta...
Sinto-te em cada murmúrio, em cada gota desta Chuva de Inverno.

Quero-te em pleno com os cheiros quentes dos aromas da vida
Num Outono apaixonado por uma Manhã de Inverno.





Ela não queria...
Pasme-se: Dizia que não sabia escrever...
Insisti e o resultado foi o poema acima.
Foi um prazer trabalhar sobre o teu belissimo texto. Obrigado!
Ela, a mulher cheia de talento, é a Xinha

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Navego em ti...




Pousavas nos meus ouvidos sons de maresias…

E assim, abandonando-me, deixava que me acariciasses a alma
E que fugisses de ti em cada sopro dos beijos que trocávamos.
Percorria o teu corpo em alamedas de ondas, em rotas desconhecidas,
E aportava em cada baía, em cada cais, que me oferecias em eternos azuis.
Sentia fome, sede de madrugadas acordadas em paixões
E já nada saciava o desejo de te ter, resplandecente, em cada luz que acendias.

Pousavas nos meus olhos luas e marés…
E assim, marinheiro de mim mesmo, navego em ti até se acabarem os versos…

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Repouso o olhar...



Encostado às margens do teu corpo
Repouso o olhar adormecido de beleza

Sinto-o para além dos sentidos
Num encontro de beijos e carícias
Trocados num dia em que horas se ausentaram.

E assim, desperto dum sono de mil paixões,
Permaneço em mim confundido em ti.